A bem da verdade é que esse post é sobre o Patrick Wilson, o ator principal dessas duas pérolas, Pecados Íntimos e Menina Má.com.
Primeiro assisti o Menina, em 2006, num fim de tarde que foi um sofrimento. O filme é de uma crueldade ímpar, já tinha lido um monte a respeito, mas assitir tudo aquilo me deixou mais chocado ainda. E é tão bem filmado, a história toda é tão bem contada, que mesmo sabendo o que está acontecendo, mesmo não vendo o que está acontecendo, eu fiquei me mexendo na poltrona o tempo todo, sofrendo com o cara. O filme conta a história de uma menina de 14 anos de idade que conhece um cara pela internet (um cara mais velho, de uns 30 anos) e vai se encontrar com ele pra um sorvete que termina em uma ida à casa dele. A menina má do título revelador, já nos faz esperar alguma coisa dela, de sua carinha de anjo; e nem precisamos esperar muito porque ela já coloca um “boa noite cinderela” na água do cara e quando ele acorda, ele tá amarrado, bem preso, e a menina começa a dizer porque está lá, que ela quer vingar sua amiga, também de 14 anos, por ter sido molestada por esse cara, um suposto pedófilo. Só que a menina não tem provas e as procura, o cara passa o tempo todo neando o que aconteceu, até que a menina com um método infalível de confissão, muda toda a história. A partir de então, o filme vira uma tortura pra quem assiste, no melhor dos sentidos, se é que exista um bom sentido nisso. A mão leve do diretor faz com que não apenas o espectador sofra muito, mas sofra sem ver um único detalhe do que está acontecendo.
Nas mãos de um Tarantino ou de um Scorcese, o filme não seria a mesma coisa, pelo prazer pelo gráfico, pelo explícito. Na verdade o filme seria outro, bem diferente. Mas o bacana é a sutileza da direção mesmo, apesar do tema e do enfoque. A atriz do filme é bacana, não tem tanto a cara de uma menina de 14 anos, parece mais madura do que deveria, isso me incommodou um pouco. Imagino a dificuldade de conseguir uma atriz mais nova , menos experiente pra um papel desses, mas acho que assim o filme seria perfeito, uma menina má com cara de menininha mesmo. Mas isso não atrapalha tanto quando as coisas relamnete acontecem. E quem rouba a cena é mesmo Patrick Wilson, o suposto molestador, acuado por uma garota que o faz sofrer e que mesmo assim tenta manipulá-la de alguma forma. A gama de interpretação de Wilson é impressionante. Ele não só é convincente como nos faz ter pena de um cara que em princípio estuprou e matou uma menininha. Isso pra mim é ser fodão, mérito do ator e claro do diretor e roteiro e tal. Mas com um ator mais canastra, mais querendo aparecer, isso iria por água abaixo. Wilson se segura e dá show, não quer aparecer e acaba se destacando.O filme é curto, como devem ser os filmes, ou a maioria deles, pelo menos. E na minha opoinião isso se deve ao bom senso de uns poucos e bons diretores, que sabem a hora de parar.
Já Pecados Íntimos é quase o oposto de Menina: um filme que se mostra tudo pra contar uma história que é quse uma novela das 8. Na verdade se a Globo ou qualquer tv tivesse culhão, as novelas seriam como esse Pecados Íntimos (título besta pra um título genial original, pequenas criaturas, os causadores por assim dizer de tudo o que se passa no filme). A história se passa num subúrbio qualquer americano, onde as vidas pacatas, os papos nos playgrounds, nas piscinas públicas é incomodado pela volta de um molestador infantil (de novo!!!) á região, proibido de frequentar qualquer lugar que tenha criança por perto. Mesmo assim as famílias ficam incomodadas, com razão. Como esses subúrbios são habitados principalmente por famílias novas, com filhos pequenos, as pequenas criaturas do título original, as coisas acontecem por causa delas, basicamente, as relações de amizade inclusive entre adultos, como mães que se conehcem quando seus filhos brincam. Uma delas é mais relapsa e mais distante, menos comprometida com seu papel de mãe que as outras e isso se deixa mostrar em pequenos atos, como esquecer de levar o lanche da filha ao parquinho, por exemplo. E no primeiro momento que ela pode sair dessa pasmaceira, ela sai, que é quando choca suas “amigas” ao dar em cima do único pai que acompanha seu filho no lugar da mnae que trabalha e sustenta a casa enquanto ele estuda pra passar no exame da ordem pra poder ser o advogado (claro) e provedor da sua casa. Só que esse pai, de novo o fodão Patrick Wilson, não quer passar no exame, não estuda o que deveria, e quando deveria estar na biblioteca, fica na rua vendo moleques andarem de skate, almejando uma adolescência tardia já perdida por seus compromissos familiares, talvez o grande problemas hoje dos 30es, crescer. Nesses encontros e desencontros infantis, o perdido se sente atraído pela perdida, começam a se ver e a transar e se apaixonam. Na casa do vizinho, o molestador e sua mãe tentam que ele tenha uma vida saudável e normal, o melhor casal do filme aliás! Nessas tentativas ele sai pra jantar com uma mulher que ele conhece em classificados de um jornal e e uma das melhores cenas do filme acontece no carro dela, quando eles voltam pra casa: a força e o poder do diretor se mostram ali. E se mostram também nas cenas de sexo, uma melhor que a outra, pra deixar bem claro que as vidas pacatas e entendiantes desses subúrbios mudam quando algumas pessoas querem sair de sua normalidade. Voltando ao elenco, Kate tem uma cena linda, quando numa reunião de um clube do livro, mulheres discutem Madame Bovary, e ela explica a personagem clássica, dizendo que quando tinha lido na universidade, tinha achado a personagem fruto de um escritor machista, mas que agora ela entendia de forma diferente, fruto de suas escapadas do casamento, com certeza. O impressionante dessa sequência é a câmera em super close em Kate e ela quase sorrindo de felicidade, por se lembrar do que acontece com ela, justifica as traições e a felicidade de Bovary. Lindo!
E voltamos ao que viemos, Patrick Wilson. Duas coisas me impressionaram muito nesse filme em relação a ele: primeiro é que ele tem uma luz própria, ele se destaca do resto do elenco; parece que o diretor se apaixonou por ele ou o fotógrafo, e o melhor set de luz era sempre usado pra ele. Ele sempre brilha, tem uma luz de sol o tempo todo sobre ele, mesmo a noite, mesmo num jantar, mesmo sob a lua. E isso é bom. Outra coisa que me deixou de queixo caído foi na cena que ele resolve andar de skate, no meio do caminho pra sua mudança total. Ele desesperado, se deixa seduzir por flutuar um pouco. E assim ele percebe quando ele queria voar, como ele não sabia, acabou caindo e se machucando, um Ícaro suburbano, mesmo sem ter chegado tão perto, mas ainda seduzido pelo vôo.
Dois filmes obrigatórios por suas grandes qualidade e pouquíssimos defeitos, que nem valem nota, no final!

Adoooro esse filme ,cheguei aqui caçando imagens dele no google e lí sua sinopse e opiniões sobre o filme. Belo post.Site bem legal tb. Parabéns. ;)