Essa semana teremos mais uma vez o Oscar, a entrega dos prêmios da Academia Americana de Cinema. E mais uma vez muita gente vai reclamar, falar um monte, criticar um monte, mas não adianta, essa é a festa de prêmios mais comentada de todas. Cafona, demorada, engraçada, sem graça, mais cafona, mas todo mundo assiste, todo mundo quer ver quem vai se sentar na primeira fila, os vestidos, os óculos do Jack Nicholson, a Gisele ao lado do DiCaprio, o ex da futura do fulano e, o pior pra mim, as traduções simultâneas do José Wilker e o Rubens Ewald, que ninguém merece. Já disseram pra eles que eles são só comentaristas, e não tradutores?
De qualquer maneira, o que mais incomoda e não só a mim, acho que incomoda todo mundo ligado ao cinema e com uma paixão pela sétima arte, é a quantidade de prêmios americanos, sempre com os mesmos finalistas e sempre os mesmos premiados: Globo De Ouro, associação de atores, de roteiristas, de diretores e tal e coisa e coisa e tal.
Os mesmos filmes são premiados sempre nas mesmas categorias, os mesmos atores, as mesmas atrizes e tudo se repete ad infinitum. Isso na verdade só mostra o quanto o Oscar na verdade é mesmo o reflexo do cinema americano. Dizem que o Globo de Ouro é a prévia do Oscar e que é um prémio mais desvinculado e mais independente, porque é concedido pela associação dos críticos estrangeiros em Hollywood, mas é quase sempre o mesmo resultado repetido no Oscar. Esse ano por exemplo quem venceu foi a Helen Mirren como melhor atriz, feito que deve ser repetido domingo agora. Fui ver “A Rainha”, filme super bem falado, dirigido pelo mestre Stephen Frears, fotografado pelo grande Affonso Beato. E o filme é de uma chatice desconcertante. O filme gira em torno da morte da princesa Diana e do quanto a indiferença da família real em relação ao evento foi ruim pra imagem da realeza. Só que esse tema besta de caçadas e mesuras e protocolos deve ser interessante muito até pros ingleses e até pros seus pseudo-súditos norte americanos. Pra mim, foi um purgante. Dormi várias vezes na projeção e não agüentava mais acara de tédio da Mirren. Na verdade eu acho que ela mesma deve ter se sentido cansada de história tão chata. Mas, com certeza, ela ganha o prêmio de atriz, principalmente por não ter ninguém indicado que chegue a não ser pela mediana Penélope Cruz, que em “Volver” tem o melhor papel de sua vida, e como já disse antes, duvido que ela encontre um filme como esse daqui pra frente. Ela pode se aposentar hoje e ser feliz por ter chorado pro Almodóvar num filme de fantasmas maravilhoso. Mas, duvido que haja um arroubo de sei-lá-o-quê e os caras mandem a estatueta pras mãos de Penélope, veremos. Isso é bem a cara do nosso ano de prêmios, a previsibilidade, o que é bem chato! Filme, ator, roteiro, tudo na cara, tudo sem surpresa.


A única surpresa que seria, que teria, é Borat, o filme porrada que me deixou por dias sem conseguir acreditar quem um filme desses fosse feito, e melhor ainda, lançado nos cinemas e candidato a prêmios e tudo. Borat é como se o pânico, aquele programa besta de tv, tivesse culhão e fizesse um filme impiedoso sobre a sociedade americana. É o filme que o casseta e planeta deveria ter feito, ams eles são da globo, daí fica difícil!
Borat, é uma criação do ator inglês Sacha Baron Cohen, um repórter do Cazaquistão, ou o segundo melhor repórter do Cazaquistão, que vai para os Estados Unidos fazer reportagens sobre o jeito americano de viver, e sempre faz questão de mostrar o seu lado das coisas, ou o lado de um pseudo-repórter do quarto mundo, numa sociedade tão distinta como a americana. Em 2 horas de filme, é quase impossível não sentir pelo menos nojo em cada uma das sequências do filme. Preconceituoso, politicamente incorreto, nojento, sujo, mas tudo em favor da piada. Isso quer dizer que o cara tem a manha, sabe fazer e fez direito. Nenhuma das seqüências do filme poderiam ser descritas aqui sem ser fiel aos detalhes porcos, pra se dizer o de menos. Borat é o sopro de novidade num ano de filmes repetitivos, mas nem ele consegue se safar da repetitividade e da velocidade das informações de hoje em dia: ao receber o prêmio de ator de comedia no Globo de Ouro, repetiu uma piada que vinha utilizando repetitivamente, eu particularmente já a tinha ouvido quando ele deu entrevista no David Letterman, sobre quem ainda não o processou e por ele estar ali. Só espero que ele tenha piadas novas pra noite do Oscar, senão vai ser a decepção das decepções, e assim, confirmar só o pior do que poderíamos esperar do tal único ar novo que vimos esse ano em tempos de estatuetas.

Compartilhe
  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • MySpace
  • NewsVine
  • Technorati
  • Tumblr
  • TwitThis