Babel é o filme mais absurdo dos últimos anos. É um filme com uns 10 anos de atraso, mais ou menos. Essa história de um não entender a língua do outro, do mundo ser uma babel, não cola mais em tempos de internet e globalizações. Nem mesmo no interior do fim do mundo do Marrocos, nem no México e muito menos na Tokio moderna de chat ao vivo pelo celu. O cara teve que colocar uma japonesa surda pra ter gancho com a historinha besta que ele tenta contar: japonesa surda num filme que se presta a contar histórias de não-comunicação, de falta de comunicação, é pegar pesado demais! E tudo isso pra contar no final a mesma história que ele vem contando faz 3 filmes, da perda do filho e do sofrimento do pai. Tá bom, Iñarritu, a gente já sabe que você passou por isso, a gente se solidariza, mas chega, né?
A premissa desse filme seris a dificuldade de comunicação, a falta de diálogo e como uma palavra não dita pode desencadear um absurdo de uma avalanche de problemas. Seria um filme também sobre o acaso, ou sobre como o acaso não existe. E seria um filme sobre o caos, a velha teoria do caos, sobre o efeito borboleta, que bate as asas em Tokio e reflete no Marrocos.
Seria se o filme fosse bom, se o roteiro fosse bem elaborado, se o filme não se perdesse e se no meio de tanta coisa que ele tinha pra contar ele não terminasse fazendo um filme “fim de novela”, onde tudo tem que se resolver e nada de forma sutil, tudo meio truncado e correndo demais. Chato!
Uma coisa que me deixou chocado foi o olhar de gringo do diretor filmando no México, seu país natal. Na verdade o filme tem toda uma cara de não identidade acho que proposital, meio que pra mostrar que o diretor é um cara do mundo, que não é daqui nem dali, mas o cara é mexicano, é melo-dramático, e fica tentando se esconder pra fazer tipo só porque agora mora em Los Angeles? Não, não funciona, fica ruim. A sequência do casamento mexicano me deixou com um desconforto tamanho que quase saí do cinema pra pegar ar, pelo olhar distanciado, pela tentativa frustrada de não priorizar talvez uma história em detrimento de outra, mas acontece que fica tudo no meio do caminho, sem profundidade suficiente, sem close, sem planos próximos, muito plano geral deixando o filme frio demais. Os poucos closes são nos astros caros hollywoodianos, Brad Pitt e Cate Blanchet, afinal, temos que fazer valer o cachê. Os dois estão bem, mas normais. Acho que o moleque marroquino é o melhor do filme, e os dois moleques americanos perdidos no México também, principalmente quando eles se divertem e sorriem, num contraponto do marroquino e no final ligados pelo destino cruel.
Mas o que mata o filme mesmo é a parte japonesa. Perdido, forçado, chato, mais forçado, e com o pior dos 3 roteiros, sem final, sem pé nem cabeça. Acho que aqui daria pra fazer um paralelo óbvio mas pertinente com o “Encontros e Desencontros”, nem sobre o filme ou roteiro, mas sobre diretor gringo filmando em Tokio. Sofia se sai maravilhosamente bem, sem parecer muito deslocada ou muito gringa filmando em solo novo. Já Iñarritu se perde e não sabe o que fazer com uma cidade cheia de oportunidades fílmicas. Além de ter o roteiro mais fraco das 3 histórias, parece que ele de qualquer maneira tentou arrumar uma desculpa pra filmar em Tokio, deve ter conseguido dinheiro japones e quis justificar. Mas da mesma forma que qualquer das outras 2 hitórias poderiam ter sido filmadas em qualquer outro lugar do mundo, no Japão não teria sido diferente: hoje em dia qualquer grande cidade não é muito diferente da Tokio malucona de Iñarritu, com os J-Bars, as adolescentes doidas, as drogas e o skyline lindo. Mas nada disso justifica uma perda de tempo do tamanho da que se perdeu.
Demorei tanto pra ver o filme e me decepcionei tanto. Tinham me dito que eu não gostaria do fim do filme, mas eu nnao gostei nem do início e nem do meio.
Só duas coisas que eu gostei muito: a trilha sonora e a montagem, que não é uma montagem paralela em real time, isso me deixou feliz. Pena que foi pouco pro filme. Pena mesmo.
