O problema de escrever ouvindo musica boa é que a gente acaba sempre prestando atenção na musica, mais do que deveria, enquanto deveria prestar atenção ao que está escrevendo.
I-tunes fechado, aqui vamos nós.
Woody Allen, ou a insistência vencendo tudo e todos.
Sábado passado eu fui assitir “Scoop”, o novo do Woody, como diz um amigo meu. Aliás, ele diz que nem precisa saber o nome do filme, só saber qual o par de protagonistas que muitas vezes é mais relevante que o próprio título.

Nesse caso, o filme é estrelado (mesmo!) por Scarlett Johansson e Hugh Jackman. A história se passa mais uma vez em Londres, onde Woody filmou o anterior, também com Scarlett e também uma comédia policial, se é que esse gênero existe. Acho melhor um policial engraçado, mas daí eu estaria falando da pessoa e não do gênero cinematográfico em si.

Bom, o filme, Scoop, é bem bonzinho, bem simpático. Tem a fofa e o fofo, ela cada vez mais parecida com as personagens neuróticas típicas dos filmes de Allen, cada vez mais gesticulando e mexendo as mãos e esfregando as mãos, cada vez mais em relação ao nervosismo de sua personagem no filme vai aumentando. O filme é quase um pastelão, muito pela presença do próprio Woody em cena, como um mágico americano em Londres. E é num espetáculo desse mágico que a estudante de jornalista Scarlet, ao participar de um número qualquer, recebe o recado de um espírito sobre um serial killer que tem matado mulheres morenas em Londres. Ela fica meio tonta com a “visita” e pede ajuda ao mágico Allen, porque, afinal, ele que “proporcionou” isso a ela.

Assim, eles saem à caça de um aristocrata bonitão, o típico playboy inglês, que freqüenta cluber fechados, tem um jaguar, tem casa no campo de 400 anos na família e coleciona arte, obviamente. Eles, o mágico e a estudante, arrumam uma forma de se aproximarem do bonitão e ele se sente atraído pelos americanos, que nesse momento já são pai e filha, ele milionário do petróleo, com a mágica de hobby.
Momentos hilários e geniais do filme são quando Allen participa de festas da aristocracia inglesae faz comentários sarcásticos sobre as diferenças de mundos, dos ricos e dos pobres, e emlhro ainda, dos americanso (ricos e aristocratas, com história) e dos americanos (novos ricos, sem história e sem classe).
A tal da investigação sobre o assassino é um prato cheio pra Allen fazer Scarlet brilhar, já que sua personagem se anima bastante com a história toda. E claro que ela se apaixona por Jackman, começa a levantar dúvidas sobre se ele é ou não o assassino e nesse momento Allen volta à cena, tomando conta do roteiro e do fim do filme, mesmo que ele queira que acreditemos que os protagonistas sejam os lindos e jovens atores.

Mais uma vez, o filme termina bem, de uma forma abrupta, meio francesa até, sem muito rodeio e mais uma vez Allen mostra o quanto ele faz o que quer em seus filmes e se ele tem que ir pra Londres, ou como vai agora, pra Barcelona filmar, que vá. Ele que sempre foi acusado de ser um diretor/autor tipicamente novaiorquino, tem mostrado que na verdade ele e seu gênio são universais, ele conta as mesmas histórias sempre e as conta onde quiser, do jeito que quiser e nós (pelo menos eu e mais uma meia dúzia de amigos) amamos!

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