Kazu Makino é a voz de rosto japonês, ao lado de dois italianos que impressionam e emotivam. Com sussuros repletos de sensualidade emergentes do turbilhão de novidades do underground da Big Apple, “23” é o álbum que confirma em pleno o que, há anos se esperava de melhor vindo dos Blonde Redhead.

Banda praticamente desconhecida pelos lados de cá, seu sétimo trabalho cruza a ideologia assimilada ao ouvir Sonic Youth ou My Bloody Valentine com uma pitada de glamour e outra de decadência. Em “23” os Blonde Redhead sabem ser tão intrigantes, como a espantosa capa do álbum logo sugere, quanto familiares. Alegre e sofrido, atual e retro, um conjunto de melodias que sabem, com raríssima elegância, unir elementos do pop e a inquietação lo-fi, preenchendo lacunas deixadas pela música atual. Esse preenchimento que torna “23” uma quase perfeição, deve-se a um shoegaze de rabo bem grande que chacoalha e bate na testa e provoca dor e inveja aos Ladytron e a outras bandinhas aí.

Em “23”, com todas suas dez canções, Blonde Redhead conseguiu formar pequenos puzzles de acontecimentos que seduzem, convidam, desafiam, encantam. Conquistam. Quem esperava que “Misery Is A Butterfly” de 2004 era insuperável, aqui se tem uma resposta negativa: 23 é para o pop, um dos álbuns fundamentais de 2007.

para ouvir:
http://www.myspace.com/blondeRedhead

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