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14175ctz_aol.jpgOdeio quando eu leio uma resenha ou uma critica ou o que quer que seja sobre algum filme e lá vai escrito “esse é o filme do amadurecimento do diretor”.Coisa chata!
E o que eu mais li sobre “Zodíaco” foi exatamente isso, que era o filme do amadurecimento do seu diretor, David Fincher!
Que papagaiada. Só porque o cara faz um filme mais econômico, sem seus maneirismos seu barroco violento, as pessoas dizem que ele amadureceu.
O pior é que Zodíaco é um filme tão violento quanto Se7en ou Clube Da Luta, seus filmes anteriores sempre citados como o oposto de Zodíaco.
Só que aqui, em Zodíaco, Fincher preferiu a economia e a sutileza, enquanto lá ele chutava a porta com os dois pés.

Zodíaco conta a história do auto intitulado serial killer que se nos anos 60 e 70 matou umas pessoas na região de São Francisco e em seus arredores e até hoje esse assassino não foi preso e o caso não foi desvendado. O assassino não deixava pistas e ao mesmo tempo mandava mensagens cifradas para os jornais em cartas que no final não revelavam nada a não ser a loucura do próprio.
Mas na verdade Zodíaco é um filme sobre paranóia e obsessão, criadas pela história e pelo próprio modo de agir do tal assassino.
Baseado no caso real o filme mostra o quanto um repórter, um policial e principalmente o cartunista de um dos jornais se perdem e arruínam suas vidas e quase sua sanidade em busca da solução do caso. E não conseguem ajudar muito nas investigações e se perdem e perdem seus casamentos e perdem sua saúde e vão se perdendo cada vez mais.

Mais do que um filme onde o assassino corta cabeças e deixa em caixas ou onde um bando se encontra pra brigar pra relaxar a tensão, Zodíaco é um filme onde o terror e o medo é espalhado pela televisão e pelos jornal. Zodíaco é um filme onde, na verdade, o grande vilão é a mídia, onde a criança de 8 anos de idade que assiste tv ouve que o assassino planeja explodir um ônibus escolar no outro dia pela manhã ou onde a secretária do jornal recebe um pedaçø do tecido do morto banhado em sangue e dá um dos gritos mais assustadores do cinema atual.
Só porque o cara trocou o close do gordo que explode pelo não close da mulher gritando dizem que ele amadureceu. Nada, ele ficou é mais sacana ainda, como o Hitchcock, sutil e ao mesmo tempo filhodaputa.

Coisas absurdas de boas do filme:
-o trio principal do elenco, o jornalista Robert Downy Jr, o policial Mark Ruffalo e o cartunista Jake Gyllenhaal, impressionantemente bem dirigidos com cenas dignas de uma aula de acting em qualquer escola de cinema;
-os closes no filme: são muitos, muitos detalhes, muita coisa sendo contada de pertinho, o que o cinema tem de mais legal, de mais interessante, a câmera perto, mostrando mesmo o que é pra ser visto;
-como o assassino que sempre mata as mulheres e poupa os homens nos casais que ataca, Fincher não poupa as mulheres em seu filme, elas são meras coadjuvantes que não fazem muita diferença no filme, pro bem e pro mal;
-ele ter usado o filme “Dirty Harry” dentro de seu filme foi um toque de genialidade. Um filme sobre um serial killer dentro de um filme falando do mesmo serial killer, um filme real dentro de um filme, sutilezas bestas que funcionam muito no fim.

(…mais no www.javiu.eupodo.com.br)

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