
Vou começar esse texto de hoje com uma pergunta bem simples: por que fazer continuações tão ruins de filmes já medianos quando o cinema americano poderia fazer mais filmes geniais como “Mais Estranho Que A Ficção”?
Essa temporada de férias, onde os blockbusters pululam pelas telas, cada vez mais filmes têm continuações e cada vez mais suas continuações são bem ruins, bem piores do que seus originais que já não eram nada surpreendentes.
Os exemplos fáceis e que estão à mão, ou melhor, em cartaz já por aqui, são as continuações de Shrek (2 e 3), Piratas do Caribe (2 e 3), Onze Homens E Um Segredo (2 e 3) e o mais triste de todos, O Quarteto Fantástico (2, e contando).
Shrek é um filme muito bom, mas muito bom mesmo, com um roteiro muito bem construído, com piadas ótimas, agrada a criança e o pai que leva ao cinema, só que foi se perdendo com as sequências. Apesar do segundo filme da franquia ser bonzinho, o terceiro se mostrou um lixo, chato, sem graça e o pior de tudo, cansativo!
Piratas do Caribe caiu no erro de fazer em sua seqüência uma aposta pretensiosa demais: provavelmente espelhando-se em O Senhor Dos Anéis, o “genial” produtor de Piratas acharam que eles tinham material bom o suficiente pra fazer um filme com quase 5 horas de duração e dividi-lo em 2, nascendo aí os Piratas 2 e 3. Acontece que como a gente sabe que pretensão funciona pra quem tem dinheiro e cara de pau, esses dois fatores aliados nos deram 2 filmes chatíssimos, paesar de todo o carisma de Jack Sparrow, o melhor personagem dos últimos tempos do cinema americano, claro, graças ao talento sem fim de Johnny Depp. Enquanto o Senhor dos Anéis tinha história, trama, personagens, material suficiente pra ser o que foi, Piratas afunda já na primeira hora do segundo filme; burro que sou, fui ver o terceiro e quase chorei de tristeza. Mas foi bom pra poder escrever essas linhas com mais propriedade. Até Keira Knightley, que eu acho muito boa, desencanta nesse terceiro filme. Tem gente que não sabe a hora de parar.
O filme dos ladrões do George Clooney e do Brad Pitt é outro que pensando bem, a gente sabe pra que serve: Clooney tem uma produtora com o diretor Soderbergh e eles dizem que fazem filmes grandes como esses “…Homens…” para ganhar dinheiro para fazer filmes menores e mais aspas experimentais aspas como Bublle. Na minha humilde opinião, eles deveriam parar de fazer os dois, o grande e o pequeno, não saberia dizer qual é pior, se o blockbuster que não traz nada de novo e só relê o roteiro já saturado do primeiro ou se o pior é a pretensão do segundo, feito em HDTV com roteiro pífio e com (de novo) a pretensão correndo solta.
Agora, o pior de todos é disparado a franquia do Quarteto Fantástico. O primeiro filme é de uma mediocridade ímpar e não sei como, acho que por contrato prévio, o estúdio realiza o segundo (e o provável terceiro) e não é que o filme é … medíocre também? (Mais uma vez eu aqui faço um meã-culpa de ter visto esse filme também, sem arrumar desculpas, fui mesmo e assumo!)
Enquanto isso, do outro lado do espectro cinematográfico industrial americano, um filme como Mais Estranho Que A Ficção é realizado, exibido e passa desapercebido, quando passa. Roteiro genial na linha surreal dos filmes do francês Michel Gondry, “…Ficção” é um primor, que parte da idéia de que a vida monótona de um fiscal de renda está sendo escrita/contada por uma escritora. Esse homem um dia ouve uma voz que vai narrando tudo o que ele acabou de fazer e acha que primeiro ficou louco, depois percebe que sua vida está sendo contada e fica com medo de morrer de uma hora pra outra. E ele sai atrás da voz da narradora. E se depara com uma escritora que estava com bloqueio criativo e se re-encontra no livro que está escrevendo, que por acaso é a vida desse homem de verdade. Confuso? Nada. Na verdade o roteiro do filme é bem doido e funciona muito bem. Coisas improváveis acontecendo e coisas prováveis que não acontecem, esse é o segredo. Dirigido pelo talentosíssimo Marc Foster, o melhor de tudo nesse filme acaba sendo o elenco. Todos os atores principais saem de seus costumeiros estereótipos cinematográficos e todos eles são muito bem dirigidos e se comportam de uma forma primorosa, todos com grande potencial para serem premiados, inclusive. Mas, como seria de se esperar, o filme é do ano passado e todos os prêmios a que o filme concorreu, perdeu, obviamente. A menção honrosa desse filme pra mim é de seu ator principal, Will Ferrel, o humorista que desde que saiu da tv do Saturday Night Live, vem fazendo sempre o mesmo personagem, o doidão engraçado. Pela primeira vez ele faz um papel dramático, sério mas com muito humor, como seria de se esperar num filme que beira o surreal.
Claro que eu acho que se puder, assista todos os filmes, mas se não puder, pule o óbvio, não precisa ver o Shrek 3 enquanto pérolas como …Ficção passam quase desapercebidas pelos nossos olhos.
via javiu
