ff.jpgQuando li a notícia, hoje cedo, que um dos meus álbuns favoritos, recheado de hinos da minha adolescência, está completando 10 anos, fiquei um tanto perplexa. Começo a considerar que realmente estou envelhecendo, pois ainda ontem morria Kurt Cobain e com ele também o grunge. Pensar que tudo isso já são coisas do século passado, é um tanto assustador.

Dizem as más línguas que poucas bandas realmente notáveis surgiram desde o grunge. Possivelmente estas más línguas não viveram o mesmo final dos 90 que eu, quando descobri cerca de 90% das coisas que ainda ouço hoje em dia. Foo Fighters é uma delas e o segundo álbum da banda, The colour and the shape, lançado em 1997, é o divisor de águas da sua história. Tanto que, a esta altura de 2007, e vários hits depois, torna-se totalmente dispensável o subtítulo usado na época, ao se falar em Foo Fighters: projeto novo de Dave Grohl, baterista do Nirvana…

Embora o primeiro álbum do Foo Fighters seja de 95, ele ainda carregava muitas sobras do Nirvana, então sem Kurt. The Colour and the Shape foi o álbum que não apenas lançou o FF, mas que verdadeiramente revelou Dave Grohl, não mais escondido atrás da bateria, mas também como guitarrista e frontman. Este segundo álbum ainda contava com o guitarrista Pat Smear, ex Germs e ex Nirvana, e com o baterista Willian Goldsmith, ex Sunny Day Real State (banda que todos os frequentadores da Galeria do Rock deveriam conhecer), que deixou a banda no meio das gravações. Completando o time, o baixista Nate Mendel, também vindo do Sunny Day e atualmente, junto de Dave, o único integrante da formação original. Embora tenha excursionado e gravados os vídeos das músicas, o baterista Taylor Hawkins, ex Alanis Morissette, entrou pro grupo quando o álbum já estava pronto.

É do The Colour and the Shape que a maioria das pessoas lembra quando se fala em Foo Fighters. Difícil esquecer dos vídeos de Monkey Wrench, Walking after you e Everlong. Este último, com direção de Michel Gondry, onde um Dave lenhador, de mãos gigantes, defende a mocinha indefesa, Taylor, dos malvados de topete e plataforma, Nate e Pat. Os vídeos do Foo Fighters mantiveram esse caráter de comédia durante bastante tempo, fruto da personalidade do próprio Dave, tendo muitos, inclusive, sido dirigidos por ele mesmo.

A edição comemorativa e remasterizada dos 10 anos do disco, contém 6 faixas extras, que se dividem entre covers de bandas como Killing Joke e Starr e b-sides do próprio Foo Fighters. Em tempos onde bandas como Garbage, outro fruto dos 90, lançam CDs coletâneas “The best of” é interessante pensar em quanto uma banda produz em 10 anos e o que virá daqui pra frente.10 anos parece muito pouco tempo pra se falar em coletânea, particularmente, nem tenho muito apreço por este tipo de compilação, pois podendo ouvir o álbum na íntegra, como o artista o concebeu, parece pular etapas ouvir a produção de 10 anos em um registro só.

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