Capa do disco Into The Wild
Quando o vocalista de uma banda famosa se lança em carreira solo, o maior desafio que enfrenta é apresentar um trabalho diferente do de seu grupo original. 16 anos depois do primeiro disco do Pearl Jam, Eddie Vedder compôs, sozinho, a trilha sonora para Into The Wild, filme dirigido por Sean Penn sobre um garoto bem sucedido profissionalmente que larga tudo para morar na floresta – baseado no romance de Jon Krakauer.

E Vedder conseguiu. Sua iteligência está em extrair de dois cantores nos quais sempre se guiou, Neil Young e Bob Dylan, lições musicais diferentes das que utiliza no Pearl Jam, também a partir destes dois mestres do folk. Into The Wild traz onze faixas curtas que transitam com desenvoltura entre o pop radiofônico e a melancolia, com um pé fincado no interior poeirento. O destaque é o single “Hard Sun”, belíssimo duelo de vilões e guitarras com o backing vocal da Sleater-Kinney Corin Tucker.

Curiosamente, e talvez sem querer, o elo com a banda que o projetou está em algumas letras, como a de “Society”: society / crazy indeed / hope you’re not lonely / withouth me. Ou em “Long Nights”: I’ve got this life / I’ll be around to grow / who I was before / I cannot recall. Mais do que a trilha de um longa, o despojamento deste disco mostra a maturidade que os anos conferiram a Eddie Vedder. Sem nada a provar, fez belíssimas canções – no sentido estrito da palavra.

Por João Perassolo

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