Once Upon a Time In the WestNão é a primeira vez que vemos uma grande promessa, com um excelente álbum de estréia, tropeçar ao segundo disco. É o que aconteceu com os britânicos Hard Fi, cujo novo álbum nada satisfaz as altas expectativas de quem aguardava algo bastante diferente para suceder ao muito promissor Stars of CCTV, de 2005 – quem me conhece sabe o quanto eu já pulei ao ouvir os primeiros acordes de “Cash Machine” e cantava enlouquecidamente cada verso da canção – a banda me chamou logo atenção pela criatividade de fazer link entre o punk e a música de pista. Uma mistura do politizado Clash ao Daft Punk.

Dois anos depois, procuram manter firme uma vontade em fazer das suas canções espaço de debate para questões corriqueiras, da guerra no oriente médio à imigração ilegal, assim como os contemporâneos, The Rakes ou The Streets, porém, mais capazes de traduzir na sua música veículos de opinião de rua, portanto distintos da eloqüência polida dos opinion makers de televisão.

Contudo, não é na palavra que faltam os argumentos aos Hard Fi. Em uma primeira audição, o álbum mostra capaz de usar idéias e discurso. “No cover art”, lê-se numa capa, sem capa, evidente provocação ao sistema “tradicional” na era do download, na qual para muitos o conceito de capa de disco deixou de fazer sentido. Contudo, foi na hora de passar das idéias à prática que o equívoco apareceu.

Aparentemente desnorteados, ou ofuscados, pelo inesperado sucesso da estréia, apostaram numa abordagem mais limpa e direta a um rock ocasionalmente dançante, fácil na digestão, com evidente sonho de grandeza nas entrelinhas. Nada contra a ambição, porém sei que várias bandas tentaram esse caminho, bem tentador, porém morreram antes mesmo da última música.

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