Poucas bandas na minha vida, mesmo quando eu era adolescente, me fizeram querer montar uma banda. O Shocking Pinks fez. Quando coloquei pra tocar o primeiro long play desta one man band da Nova Zelândia, imediatamente voltei a ter quinze anos, com um all star nos pés e uma guitarra na mão. Nick Harte, o cara por trás dos Shocking Pinks, utiliza seu vocal displicente à Pavement para fazer soarem atuais clichês dos anos 90 como a estética lo-fi de compor/tocar e a rebeldia juvenil – ouçam “Victims”, por exemplo. A cartela de referências de Hart é ainda maior: ele se apropria da melancolia folk (“How Am I Not Myself?”) e de elementos shoegaze (“Second Hand Girl”) para nos fazer lembrar de como é divertido, sim, tocar com os amigos na garagem de casa. Todas as faixas, claro, são gravadas com muita sujeira, e a sensação é de ouvir uma fita cassette.O mais curioso da história é que este disco, homônimo, sai pela DFA Records, selo de eletrônica de James Murphy, o mentor do LCD Soundsystem. Ao assinar com o Shocking Pinks, Murphy – um dos mais influentes produtores da eletrônica atual – afirma que, mais do que as misturas de rock e sintetizadores das pistas, o rock puro e tosco e inconsequente merece figurar nas listas de melhores.
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