Built to Spill: Jim, Doug, Brett e Scott – cadê o outro Brett?

Quando o Oct me convidou pra escrever uma coluna sobre música no euPodo, uma das primeiras sugestões foi escrever sobre bandas novas, idéia que eu abandonei logo de cara. Não queria escrever sobre bandas novas porque acho que já estamos bem abastecidos nesse quesito, com vários sites bacanas que já dão conta do recado (e muito mais).

Resolvi então pegar o ‘caminho mais fácil’ e escrever sobre bandas que eu ouço sempre, não necessariamente as bandas hype do momento. É mais ou menos um derivado de uma outra coluna que eu escrevo no Guia Da Semana (mensalmente) sobre bandas nacionais que eu vejo por aí e que eu também adoooro. E eu já aviso: ela é absolutamente subjetiva e passional. Como quase tudo que eu adoro nessa vida.

MY OWN PRIVATE IDAHO
O quinteto de (meio) barbudos do Built to Spill merece a ‘inauguração’ da coluna. Por quê?
Bom, se você der uma olhada no meu painel da LastFm vai entender: a banda ocupa o topo dos artistas mais ouvidos em geral’ com uma larga vantagem sobre outros (que deve ter aumentado ainda mais depois desse texto!).

A banda começou em 92 em Idaho (EUA) pelas mãos do mentor, vocalista e guitar-hero (de mão cheia, eu diria!) Doug Martsch como um trio. Desde então, sofreu algumas modificações no cast até chegar a formação atual, com três guitarristas ao vivo: Mr. Martsch (vocais e guitarra), Scott Plouf (bateria), Brett Nelson (baixo), Jim Roth (guitarra) e Brett Netson (guitarra).
Muita gente considera o BTS como apenas mais uma banda indie dos anos 90 parecida com o Pavement’ (aliás, outra banda que eu amo, renderia uma coluna fácil!). Eu acho isso particularmente uma afirmação injusta, pois a banda pode ter demorado um certo tempo para achar sua identidade musical e se desvencilhar do método ‘guitarras-quebradas-e-vocal-desleixado’ característico dos primeiros cds, mas isso não invalida sua excelente qualidade musical.
Eu vou falar um pouquinho sobre cada cd da banda, mas simplificando o post, o Built to Spill me encanta basicamente pela combinação de guitarras perfeitas com letras e melodias lindas, que resultam em canções que têm uma melancolia única. Claro que a banda tem outros momentos, mas eu acho que o forte deles está aí: a beleza triste que me faz ouvir o BTS no repeat. Sempre.

E em tempos de download em megaspeed, nada mais que justo do que um resumão da discografia do BTS, porque assim ninguém perde muito tempo. Lá vai:


ULTIMATE ALTERNATIVE WAVERS (93): o primeiro álbum do BTS lembra muito (admito) o Pavement. Pra mim não é o melhor deles, eu acho muito experimental (e na minha nomenclatura ‘experimental’ nem sempre quer dizer fantástico, sabe?). Eu gosto bastante da Hazy. Pra mim, a mais linda do cd.


THE NORMAL YEARS (93): é uma compilação dos dois primeiros cds da banda, mais alguns singles. Também não está nos meus favoritos, acho irregular. Mas tem momentos bonitinhos, como Girl (que tem uma letra fofa e inocente) e Joyride (que alegra qualquer dia cinzento).


THERE IS NOTHING WRONG WITH LOVE (94):
aqui o BTS começa a ganhar mais personalidade. A adição de cordas (cello) é super bem-vinda e passa a fazer parte das composições da banda. Big Dipper é deliciosa e divertida. Car também merece destaque, mas a minha preferida é Fling (pela letra, pela simplicidade e beleza).


PERFECT FROM NOW ON (97): finalmente o BTS encontra a sua própria cara. Pra mim, o melhor álbum da banda (e o mais triste também), sem sombra de dúvida! Traz petardos como I would hurt a fly (de doer o coração), Velvet Waltz (a minha segunda música preferida da banda, a valsinha mais perfeita do mundo indie!), Kicked in the Sun (sem comentários, só ouvindo de olhos fechados pra entender) e finalmente Untrustable/Part 2 – about someone else (onde Mr. Martsch mostra que música de corno pode ser boa sim, ouça!).


KEEP IT LIKE A SECRET (99): depois da tristeza infinita, pode haver uma luzinha no fim do túnel. Pra mim, o segundo melhor álbum da banda. Tem pegada, mas também tem as canções para dias nublados que eu tanto gosto. Começa com a forte The Plan, passa pelas gostosas Sidewalk (muito boa!) e You Were Right, viaja em Time Trap (a introdução dessa música é absurda!). E tem a minha preferida, a Carry the Zero (juro, ouço essa pelo menos uma vez por dia e não enjôo nunca! O casamento perfeito de letra, música e riffs do BTS).


LIVE (2000): ok, eu nunca gostei de álbuns ao vivo. Mas esse vale. É bem gravado, e as guitarras da banda ficam melhores ainda nessa versão. Fora tudo isso, tem uma versão de Cortez the Killer (do Neil Young) que é perfeita demais.


ANCIENT MELODIES OF THE FUTURE (2001): outro album que eu recomendo. Tem Strange (que tem uma levadinha muuuito boa!), The host (que pertence aos momentos BTS de melancolia), Alarmed (que pra mim é uma das melhores do disco), You are (‘A’ melhor!), Fly Around My Pretty Little Miss (momentinho de alegria e delicadeza) e fecha com a lindíssima The Weather.


YOU IN REVERSE (2006): o cd mais recente do BTS. Foi mega elogiado pela crítica, mas ainda confesso que não é o meu preferido, apesar de ter ótimas músicas. Recomendo Goin’ Against Your Mind (a canção poderosa que abre o album), Conventional Wisdom (que também tem uma pegada incrível) e Saturday (a mais triste, e como não poderia deixar de ser, a minha mais querida do cd).

Bom, pra quem se interessou, tem mais BTS aqui:

Site (lindo, aliás)
http://www.builttospill.com/

Myspace:
http://www.myspace.com/builttospill

Compartilhe
  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • MySpace
  • NewsVine
  • Technorati
  • Tumblr
  • TwitThis